A sogra

O radialista Amarildo Volpato colaborou com essa história.

Um programa policial de uma rádio de Lages (SC) noticiava um acidente que ocorreu na BR 116. Foi uma colisão frontal que matou quatro pessoas da mesma família. Só que na hora do repórter explicar...

_Nesse acidente terrível morreram três pessoas MAIS A SOGRA....

Atrasado para o enterro

Esta história recebi do radialista Amarildo Volpato, de Lages-SC.

A cidade de Joaçaba é separada de Herval apenas por uma ponte. O locutor de uma rádio local lia uma nota de falecimento. Tudo corria bem, até a hora de anunciar o horário do enterro: 

_O sepultamento está marcado para as 16 horas de hoje...

Ele olhou o relógio e percebeu que já marcava 16h20. Criativo, completou com aquela voz padrão:

_...mas se vocês apurarem um pouquinho ainda pegam o caixão ali pela ponte...

Programas de avisos

Ainda são comuns nas rádios do interior, programas de avisos, que servem para que as pessoas da cidade se comuniquem com quem mora no campo e, às vezes, nem telefone tem. É simples: a pessoa liga para a rádio, dita um texto passando alguma informação e esse é lido no ar. Nesses programas já ouvi pérolas fantásticas, como as que seguem.

_Alô Dona Maria Silva, na comunidade do Rincão do 28! Dona Maria, do Rincão do 28! Deixei a chave de casa debaixo da pedra branca perto da porteira! Quem avisa é o Ezquiel.

_Atenção no Passo Novo, Vera Lúcia. Estou indo no ônibus das seis da tarde. Me busca na parada e, por favor, leva o VARAL. Assinado, Marco Antonio.
Depois fui descobrir que o Varal em questão era o cachorro da família.

_Atenção na Fazenda Santa Maria, Josefa Almeida. Eu rodei em matemática. Por favor, não conta pro pai. Assinado, Júnior, teu filho.

_Alô Pedro, peão da fazenda Rancho Fundo. Alô Pedro, da fazenda Rancho Fundo. A tua irmã vai casar amanhã. A égua foi vendida pra mortadela. Assinado, Maria Aparecida, tua mãe.
Claro que, nesse caso, a dona Maria Aparecida misturou dois assuntos diferentes. Eu acho.

_Atenção no Sítio Dom Bosco, Antonio Camargo. No Sítio Dom Bosco, Antonio Camargo. A Elizabete, nossa filha, está muito mal no hospital. O corpo será velado na capela B da Santa Casa... Quem assina é Rita, tua esposa.

_Atenção na fazenda São João, Paulo. Paulo da Fazenda São João. A égua do seu Manoel deu cria. A tua mulher também. É um guri. Vem para o batizado amanhã. Assinado, teu irmão Jorge.
O Jorge soube aproveitar o que chamamos em jornalismo de “gancho”.

_Atenção na Fazenda São Gabriel, Alemão. Atenção, Alemão. A Judite, tua mulher, deu a luz ao Frederico teu filho. É um negrinho e tem muita saúde. Parabéns. Assinado, Gorete, tua mãe.

Sensibilidade

Recebo essa contribuição do professor Glauber Pereira, de Bagé (RS):

Um famoso comentarista de uma emissora de Bagé fazia a transmissão de uma partida da cidade, mas estava com a cabeça em outro lugar. Tudo porque um conhecido cartola da cidade, chamado Major Segredo, estava mal no hospital. O comentarista resolveu colocar os ouvintes a par do estado de saúde do cartola e usou toda a sensibilidade possível:

_Meus caros, informo que a vocês que o Major Segredo está mal no hospital. O Major Segredo pode morrer a qualquer momento...

De fato, o Major Segredo morreu. Porém, nosso comentarista, não contente em anunciar a morte aguardada, via transmissão de rádio, apresentou outra pérola. Por ser amigo do finado desde tempos idos, a viúva o convidou para se despedir do amigo com canções. No dia seguinte ao velório, nosso comentarista não teve dúvidas - nem modéstia - em sua participação no programa de rádio:

_Gente, o enterro do Major Segredo estava um espetáculo!

O Padre Nu

Recebi essa história do amigo Luiz Zanetti Sobrinho.

Um padre lia trechos da Bíblia em um breve espaço em uma rádio popular. O programa era ao vivo. Certo dia, ele deveria ler Mateus 25, onde diz:

_Tive fome, e não me destes de comer. Tive sede, e não me destes de beber. Era peregrino e não me acolhestes. Estive nu e não me vestistes.

Só que na última parte, o padre se enrolou:

_Estive nu e não me visitaste... Desculpe... Estive nu e não me visi... não me vestistes.

O cachorro “Dalmatá”

Recebo essa contribuição para o blog do gaúcho Éder Flores.

Ele conta que um dos locutores veteranos de uma emissora de Cachoeira do Sul (RS), soltou essa.

_Atenção, aviso de utilidade pública: O fulano de tal ligou pra mim aqui e pediu pra anunciar que o seu cachorro "Dalmatá" fugiu e ele NÃO SABE ONDE ESTÁ, mas também se soubesse não iria pedir pra eu anunciar, né?

Não satisfeito, ainda concluiu.

_Pra quem não sabe o "Dalmatá" é aquele cachorro branco e que tem as bolas pretas...

Para quem não ouve

Certa vez uma emissora da cidadezinha de Dom Pedrito, no interior do Rio Grande do Sul, recebeu um comercial muito curioso. Era de uma revendedora de aparelhos para surdez. O texto:

_A empresa de aparelhos auditivos avisa aos interessados que já chegaram os novos aparelhos. Pede-se aos vizinhos ou parentes, que repassem esse recado aos mesmos. De preferência, por escrito...

Narrador e repórter: uma dupla imbatível

Reza a lenda que, no final de uma partida de um campeonato de futebol infantil que acontece anualmente em Alegrete, na fronteira-oeste, uma falha de comunicação provocou uma das mais conhecidas gafes da cidade. O narrador era o professor Geraldo Andrade e, nas reportagens, atuava o radialista João Ulisses de Souza. Quase meia noite, provavelmente todos já cansados, o narrador anuncia:

_Trila o apito! Termina o jogo. E aí, João Ulisses?

Dando a deixa para que o repórter iniciasse seus trabalhos no campo. Eis que João Ulisses, de pronto, responde:

_Aqui também, professor!


Dois casos semelhantes, onde a distração do repórter de campo foi decisiva para a construção de gafes, aconteceram em Caxias do Sul. Durante a transmissão de uma partida, o narrador percebe que iniciara a chover e constata, emendando com o chamado ao repórter:

_...chutou pra fora! E começa a chover aqui no Alfredo Jaconi. E aí, fulano de tal?

O repórter responde:

_Aqui no campo também chove.


Em Caxias do Sul, terra fria, é comum que a neblina baixe no campo. Certo dia, baixou tanto que o narrador não enxergava os jogadores em campo. Lá pelas tantas, ouve o chamado do repórter:

_Acabou!

O narrador, pensando se tratar de um chamado do estúdio com alguma partida paralela que acabara naquele instante, pergunta:

_Acabou onde?

O repórter responde:

_Aqui mesmo, no Jaconi. Vamos conversar com o goleiro...


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Tempo bom

Em uma rádio de Igrejinha, pequena cidade da Serra do Rio Grande do Sul, um famoso locutor era responsável pela abertura dos trabalhos. Ele entrava no ar antes do dia amanhecer e só saia de dentro do estúdio por volta do meio-dia. Todos os dias, às 8h, uma vinheta anunciava as condições do clima na cidade:

_A rádio Igrejinha informa as condições do clima.

Nosso locutor, sem ter a mínima ideia de como estava o tempo, entra no ar com a voz cavernosa:

_Em Igrejinha, oito horas. Tempo bom...

Nesse exato momento, o locutor é interrompido por um estrondo trovão. As paredes tremem e o som foi tão alto que foi possível ouvir até dentro do estúdio. Nosso personagem não se acanha e conclui:

_...pra agricultura!